1994 foi há 29 anos. O primeiro mundial do qual muitos de nós guardamos memórias vívidas. Uma era em que o futebol era romântico, sem redes sociais, sem VAR, sem a loucura dos agentes — só paixão, camisolas largas e cortes de cabelo duvidosos.
As estrelas eram de outra galáxia. Emanavam categoria pelos poros. Eram excêntricos, populistas, heróis e vilões. Eram homens e nós, crianças. Baggio, Valderrama, Hagi, Romário, Stoichkov. Até as nações mais humildes tinham ícones: Lalas, Sutter, Milla, Etcheverry. Era um desfile de cor, talento e caos.
Foi um Mundial tragicamente belo. A frenética camisola do Jorge Campos, a cabeçada de Lechkov, a chapelada do Hagi, o auto-golo do Escobar, os cinco golos do Salenko, a suspensão de Maradona, e, claro, o penálti de Baggio. Um falhanço mais bonito do que muitas vitórias. Um homem que levou um país às costas, “só” para claudicar no último instante.
Sendo o Carnabol também ele um evento de base romântica e saudosa, decidimos prestar tributo a esse torneio lendário: USA’94.
Pela primeira vez, o Carnabol contou com oito equipas — um alargamento natural, feito de paixão e logística caótica. Cada equipa representou uma nação mítica desse Mundial: Itália, Argentina, Colômbia, Nigéria, Holanda, Brasil, Bulgária e Alemanha.
O torneio foi vibrante, emocionante e nostálgico até ao último minuto. E à última grande penalidade. A final colocou frente a frente Colômbia e Nigéria, duas equipas que, no real e no imaginado, fizeram história em 1994. Nos penáltis, venceu a Colômbia de Valderrama e Rincón.
Como sempre, depois do futebol veio o que agora se faz com mais mestria: o convívio, o almoço pela tarde dentro, e os brindes à galhofa.
Acima de tudo, foi mais uma dose de gala a roçar o absurdo. A todos os que alinharam em mais uma edição do Carnabol, o nosso obrigado.