Arranquemos com um agradecimento especial a Éder. Foi graças ao seu golo em 2016 que Portugal, vinte anos depois do Euro 2004, pôde finalmente olhar para esse verão com nostalgia, e não só com amargura.
Esse torneio, jogado em casa, marcou uma geração. A equipa de Scolari, com base no FC Porto campeão europeu, juntou nomes maiores do futebol nacional: um imberbe Cristiano Ronaldo, os senadores Figo, Rui Costa e Pauleta, e ainda Deco, Maniche e a dupla de aço Ricardo Carvalho–Andrade.
Na versão original, começámos a perder com a Grécia… e terminámos a perder com a Grécia. Um feito só ao alcance de poucos — talvez só do Sporting. Mas no Carnabol tudo é possível, até reescrever finais. E por isso, nesta edição, Portugal venceu. Na final, frente à temível República Checa, a equipa das quinas venceu por 1-0. Porque também merecemos finais felizes, nem que seja em modo mascarado.
O torneio recriou 8 das selecções mais marcantes desse Europeu: Portugal, Grécia, Espanha, Inglaterra, Suécia, Croácia, República Checa e Holanda. Com os seus ícones e as suas memórias. Nikopolidis e os seus cabelos prateados, Cech com o seu capacete, Koller e a sua calvície orgulhosa, um jovem Zlatan, o mítico Davids, o goleador Prso, os capitães Puyol e Fernando Couto — todos (mais ou menos) de volta ao relvado.
Não foi só uma homenagem. Foi um regresso a 2004, com o calor de junho, a galhofa de sempre e o absurdo que torna tudo especial. Mais uma vez, jogou-se futebol e, logo depois, comeu-se, bebeu-se e conversou-se. Como deve ser.
A todos os indivíduos que alinharam nesta bonita palhaçada, o nosso obrigado. Que continue.